1/2

D'Ale vive último ato em família e se despede do Inter com lágrimas


Vestiu a camisa 10. Calçou as chuteiras. Foi para o gramado – com o cuidado de pisar primeiro com o pé direito, em um ritual particular para o aquecimento. Torceu. Vibrou com os dois gols. Ficou no banco até os 41 do tempo. Entrou em campo. Recebeu a braçadeira de capitão. Correu. Orientou a equipe. Marcou. Deu até carrinho. Festejou a vitória.


Guarde bem cada uma destas ações, por mais simples e rotineiras que sejam. Guarde também os 15 toques na bola, os seis passes certos e os nove minutos em campo. Pois foram os últimos atos de D'Alessandro como atleta do Inter.


Exatos 4524 dias depois de pisar o Beira-Rio pela primeira vez como jogador colorado, D'Ale entrou em campo no estádio para seu último jogo com camisa do clube. A despedida veio com vitória por 2 a 0 sobre o Palmeiras, neste sábado, pela 26ª rodada do Brasileirão.


Mas o 19 de dezembro de 2020 está eternizado para os colorados não pelos gols de Edenílson e Yuri Alberto ou por qualquer lance com a bola rolando. E sim, por tudo o que aconteceu depois.


Pelas homenagens e lágrimas que tomaram o gramado e fizeram jus ao capítulo final dos 12 anos da era D'Alessandro no Beira-Rio. Mais de uma década desde que o argentino intempestivo marcou época como um dos maiores ídolos da história centenária do Inter.


Mas os astros se alinharam para lhe render uma homenagem inesperada: Edenílson abriu o placar aos 10 minutos do primeiro tempo. Logo quando a bola tocou as redes, uma das organizadas do clube fez estourar um foguetório em homenagem ao gringo, que ganhou um abraço do volante.


D'Ale festejou o gol de Yuri Alberto e entrou aos 41 do segundo tempo apenas para ter a chance de vestir a camisa do Inter e a braçadeira de capitã, entregue por Rodrigo Dourado uma última vez. E para dar início às homenagens.


A onda de abraços e as lágrimas foram imediatas ao apito final. Os primeiros a abraçar D'Ale foram os companheiros, que, um a um, o cumprimentavam pela despedida.


Depois, a festa foi coletiva. Já choroso, D'Alessandro se agarrou na bola do jogo, sua recordação do último ato. Os colegas de elenco o arremessaram no ar, aos gritos de "D'Alessandro! E dá-lhe D'Alessandro".


Emocionado, o argentino se ajoelhou no centro do gramado e chorou, com todos os companheiros ao seu redor, de pé e em aplausos. E vinham mais lágrimas.


Érica e os filhos entraram no gramado e envolveram D'Ale em mais um abraço. As luzes do Beira-Rio se apagaram, exceto por um feixe de que iluminava apenas os D'Alessandro.


O argentino vestirá uma nova camisa em 2021. E leva consigo uma vida de Beira-Rio, eternizada nas lágrimas deste sábado e na memória já saudosista de todos os colorados.


D'Alessandro deixa o Inter com 517 partidas, 95 gols e 113 assistências. É o terceiro jogador com mais jogos na história do clube. Foi campeão da Libertadores e rei da América em 2010 e conquistou Sul-Americana e Recopa Sul-Americana, além de seis Gauchões.


Fonte: globoesporte.globo.com

Foto: Ricardo Duarte/Divulgação Inter

TROPICAL FM 97.7 - LESS.webmaster